Crise do Banco Master ; O que aconteceu com os R$ 117 milhões da previdência de Maceió?.
O cenário de insolvência do Banco Master culminou na decretação de sua liquidação extrajudicial pelo Banco Central do Brasil, formalizada em 19 de novembro de 2025. O evento determinante para a interrupção das atividades operacionais da instituição foi a prisão preventiva de seu proprietário, Daniel Vorcaro, efetuada pela Polícia Federal em 18 de novembro de 2025, sob acusação de crimes financeiros e tentativa de evasão do país.
Sob a ótica de auditoria, a intervenção regulatória interrompe um ciclo de gestão temerária e altera a natureza jurídica dos ativos aplicados por entes públicos. O Instituto da Previdência de Maceió (IPREV), anteriormente investidor, passa a figurar tecnicamente como credor da massa liquidada, enfrentando os riscos inerentes à indisponibilidade imediata de liquidez e à incerteza quanto à recuperação integral do principal.
As frentes investigativas da Polícia Federal delineiam um esquema sistêmico de fraude estruturada e desvio de finalidade:
- Operação Compliance Zero: Investiga uma sofisticada triangulação financeira para ocultação de prejuízos. O Banco Master concedia empréstimos a empresas de fachada (como Tirreno e DPI), que redirecionavam os recursos a fundos da gestora Reag. Estes fundos eram utilizados para a compra de "ativos podres" e títulos sem valor, como ações do extinto Besc, com preços artificialmente inflados. O objetivo era realizar ajustes contábeis artificiais e maquiagem de balanço para simular um patrimônio inexistente e esconder rombos operacionais.
- Operação Carbono Oculto: Foca na infiltração do núcleo financeiro da facção criminosa PCC no mercado formal. Apura-se se fundos administrados pela Reag e pelo Master, com patrimônio conjunto superior a R$ 100 bilhões, foram utilizados para a lavagem de dinheiro e a "legalização" de capitais de origem ilícita.
- Operação Zona Cinzenta: Examina a aplicação de recursos de Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) em títulos do Master sem o devido lastro. Destacam-se as exposições da Amprev (Amapá), com R 400 milhões investidos em apenas 20 dias sob suspeita de direcionamento político, e do **Rioprevidência** (Rio de Janeiro), com R 970 milhões aplicados sob gestão sob suspeita.
- Investigação BRB e Fictor: Apura a ocultação de participação acionária de Daniel Vorcaro no Banco de Brasília (BRB) através de "laranjas" e fundos da Reag, configurando grave conflito de interesses na venda de carteiras de crédito do Master ao banco público. Paralelamente, investiga-se a holding Fictor, que buscou adquirir o Master e entrou em recuperação judicial em fevereiro de 2026 com passivo de R$ 4,2 bilhões.
A análise técnica da exposição do município ao risco de crédito do Banco Master revela os seguintes indicadores:
- Montante Investido: R$ 117 milhões aplicados em títulos da instituição liquidada.
- Risco de Crédito e Classificação Jurídica: Por se tratar de investimento institucional e não depósito bancário convencional, a aplicação não possui cobertura pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Na ordem de preferência da liquidação, o IPREV é classificado como credor quirografário (comum), o que eleva substancialmente o risco de perda.
- Proporção Patrimonial e Fluxo de Caixa: Embora o valor represente menos de 10% do patrimônio total do Maceió Previdência (estimado em R 1,4 bilhão), o montante de R 117 milhões equivale a aproximadamente 83% do valor total bruto de uma folha de pagamento mensal do município (estimada em R$ 140,7 milhões conforme dados da SEFAZ de fevereiro de 2025).
A sessão plenária de 18 de novembro evidenciou o conflito entre a transparência na gestão de ativos e as decisões políticas do Executivo, especialmente considerando que o município mantinha processos formais para outros serviços bancários, como o Edital de Pregão Presencial nº 28/2025, com valor mínimo de R$ 53,5 milhões para a folha de pagamento.
A administração do Maceió Previdência emitiu notas oficiais visando conter a volatilidade de expectativas entre os beneficiários, assegurando a continuidade operacional:
"O patrimônio total do Instituto é de R 1,4 bilhão, o que garante a segurança dos pagamentos. A saúde financeira é sólida, tendo a previdência saltado de R 300 milhões para o patamar atual, minimizando o impacto relativo da liquidação do Banco Master."
"O cronograma de pagamentos está rigorosamente mantido: os depósitos de novembro serão efetuados no dia 27; os de dezembro, somados ao 13º salário, serão realizados em 19 de dezembro."
"Na época das aplicações, o Banco Master estava plenamente habilitado pelo Banco Central e Ministério da Previdência, possuindo grau de investimento por agência de risco e aprovação formal pelo Conselho de Administração."

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