O Teatro do Absurdo e o Conto de Fadas das Atas em Branco.
Era uma vez um estado onde as convenções partidárias serviam para debater projetos e ouvir a militância. Hoje, em Alagoas, esse cenário pertence estritamente ao gênero da literatura fantástica. O que se testemunhou no encerramento do ciclo de convenções para 2026 não foi política, mas o ápice da autofagia democrática. As agremiações deixaram de ser fóruns deliberativos para se tornarem peças de ficção mal encenadas, onde o roteiro é digitado em gabinetes refrigerados e o público — inclusive o filiado — é tratado com o desdém reservado aos figurantes de baixo orçamento. A "Ata de Convenção", outrora o registro sagrado da vontade coletiva, degradou-se em um adereço burocrático sem valor real. Vivemos a era das "Atas em Branco": papéis timbrados que escondem o vazio de propostas e a plenitude das manobras de última hora. Em nosso feudo tropical, a democracia partidária foi substituída por um teatro de sombras, onde a canetada solitária de um "dono de partido...