Saneamento em Alagoas: O Paradoxo dos Bilhões em Caixa e as Torneiras Secas.
(crédito: Reprodução) Alagoas foi vendida ao Brasil como a vitrine do Novo Marco Legal do Saneamento. O discurso oficial, entoado com a empáfia de quem descobriu a cura para um atraso secular, classifica as concessões como um "marco civilizatório". Contudo, para quem vive na pele o cotidiano das periferias e do sertão, essa "nova era" tem cheiro de esgoto e gosto de descaso. O sucesso financeiro dos leilões, que injetaram bilhões nos cofres públicos, colide frontalmente com uma realidade brutal: o Estado responde ao grito desesperado por água com o cano do fuzil. Em fevereiro de 2026, enquanto relatórios de gestão celebravam metas batidas, moradores do bairro Feitosa, em Maceió, erguiam barricadas em chamas. Exaustos de meses com torneiras secas, a única resposta que receberam do Poder Público foi o gás lacrimogêneo do Batalhão de Operações Especiais (BOPE). O paradoxo é escandaloso: Alagoas nunca esteve tão rica em outorgas, e seu povo nunca pagou tão caro por um...