Convenção da Unidade Popular (UP): Lenilda Luna e o Desafio às Oligarquias em Alagoas.

 

Candidata a Governadora Lenilda Luna e o candidato a senador Alexandre Fleming


A Unidade Popular (UP) realiza hoje, terça-feira, 21 de julho, às 18h, sua convenção estadual no auditório do Sindicato dos Bancários, em Maceió. O evento abre oficialmente o ciclo de convenções em Alagoas, homologando candidaturas majoritárias que buscam romper o domínio tradicional no estado.

A candidatura de Lenilda Luna ao governo carrega um peso histórico: Alagoas nunca foi governada por uma mulher desde sua emancipação em 1817. O movimento resgata o legado de Almerinda Farias Gama, pioneira alagoana na luta pelo sufrágio feminino e pelos direitos das trabalhadoras.

Para Alexandre Fleming, candidato ao Senado, a exclusão feminina é um projeto deliberado. "A política alagoana insiste em apagar as mulheres. São mais de duzentos anos de história; um retrato cruel de como o poder se organizou para permanecer em mãos masculinas e oligárquicas", afirma.

A UP se apresenta como alternativa real ao duopolio formado pelo MDB, de Renan Filho, e pelo PSDB, de JHC. Diferente dos adversários, a legenda é a única com a chapa fechada, incluindo o vice-governador, mantendo uma estratégia de isolamento para preservar sua independência socialista.

O partido sustenta sua oposição às elites locais com base em dados alarmantes de desigualdade. Em Alagoas, cerca de 92,5% da população sobrevive com renda mensal inferior a R$ 5 mil, enquanto o poder político e econômico segue concentrado em círculos restritos há décadas.

A plataforma de oposição foca em três pilares centrais:

  • Enfrentamento à concentração de renda: Combate ao modelo que empobrece a maioria enquanto privilegia poucas famílias.
  • Ruptura com métodos tradicionais: Crítica ácida aos currais eleitorais e ao uso do poder econômico para manter o controle político.
  • Independência de classe: Manutenção de uma chapa sem coligações com partidos da ordem, focada nos movimentos populares.

Lenilda Luna traz a experiência de três décadas de militância social. Jornalista concursada da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e pedagoga, ela consolidou seu capital político em 2024, quando terminou a disputa pela Prefeitura de Maceió em terceiro lugar com votação expressiva.

Integrante do Movimento de Mulheres Olga Benário e do Movimento Luta de Classes, Luna defende a gestão democrática. Em 1994, ela coordenou a primeira eleição direta para diretores da rede municipal de Maceió, um marco na educação pública da capital.

No Senado, Alexandre Fleming, professor do Instituto Federal de Alagoas (IFAL), promete um combate direto ao que chama de "política de cabresto". Fleming pretende expor as contradições de nomes como Renan Calheiros e Arthur Lira, que, segundo ele, operam na mesma lógica de poder.

O trunfo investigativo de Fleming reside na estatística do domínio familiar. Segundo o candidato, apenas quatro famílias tradicionais de Alagoas somam, historicamente, 19 mandatos e um total de 152 anos de ocupação das cadeiras do estado no Senado Federal.

A convenção desta noite é aberta a militantes, movimentos sociais e cidadãos que buscam uma alternativa programática. O evento consolida a UP como a primeira força a oficializar seus nomes para o pleito de 2026, reafirmando o compromisso com as pautas da classe trabalhadora.




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