Cuba 2026: O Colapso Energético e o Novo Xadrez Geopolítico no Caribe.

 

Cuba condena e denuncia nova escalada do bloqueio econômico dos Estados Unidos


O cenário geopolítico caribenho sofreu uma alteração tectônica em 3 de janeiro de 2026. A queda do governo de Nicolás Maduro na Venezuela não representou apenas uma mudança de regime em Caracas, mas o início de uma asfixia energética terminal para Havana. Segundo o Diário do Centro do Mundo, a interrupção total e abrupta do fornecimento de petróleo venezuelano serviu como o catalisador de um colapso em cadeia. Sem o combustível que servia de lastro para sua matriz energética e estabilidade social, Cuba mergulhou em uma crise de soberania, vendo-se forçada a navegar em um ambiente de hostilidade diplomática e econômica sem precedentes.

Em 29 de janeiro de 2026, a administração de Donald Trump formalizou a estratégia de isolamento total da ilha através da Ordem Executiva 14380, com efeitos imediatos a partir do dia seguinte. Fundamentada na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), a ordem declara "emergência nacional" e impõe um cerco rigoroso.

Conforme detalhado pelo relatório da SmarTrade, os mecanismos técnicos da ofensiva incluem:

  • Tarifas Ad Valorem Adicionais: Imposição de taxas sobre mercadorias provenientes de países que forneçam petróleo ou derivados a Cuba.
  • Identificação de Atores "Malignos": A Ordem 14380 identifica explicitamente Índia, China e Rússia como nações cujas transações energéticas com Havana "propiciam atores hostis aos interesses dos Estados Unidos".
  • Designação de Patrocinador do Terrorismo: A re-inclusão de Cuba na lista de Estados que patrocinam o terrorismo reverteu medidas flexíveis de 2025. Segundo a CNN Brasil, o chanceler Bruno Rodriguez, "embriagado de arrogância", descreveu a postura de Trump como uma mentira deliberada para "aumentar a punição contra as famílias cubanas". O presidente Miguel Díaz-Canel classificou a medida como um "ato de arrogância e desrespeito à verdade".

A "asfixia energética" resultou no cenário de "Havana às escuras", onde o desabastecimento de combustível paralisou serviços essenciais e gerou o que observadores chamam de iminente "catástrofe humana" [ICL Notícias]. O setor hoteleiro, outrora o motor da economia, tornou-se o símbolo do colapso do modelo estatal.

Tabela: Evolução do Fluxo Turístico e Ocupação

Período

Volume de Visitantes

Contexto de Mercado

2018 (Recorde)

4,7 milhões

Pico histórico de arrecadação

2024

~2,2 milhões

Estagnação pós-pandemia

2025

1,8 milhão

Queda de 18% em relação ao ano anterior

2026 (Projeção)

Em declínio severo

Taxa de ocupação hoteleira abaixo de 20%

Fonte: Diário do Centro do Mundo / Instituto Nacional de Estatísticas.

O descompasso entre investimento e realidade é personificado pela Torre K, um luxuoso hotel de 42 andares inaugurado em Havana que permanece virtualmente vazio. Relatos da turista canadense Krista Craig em Cayo Coco indicam que resorts habitualmente lotados operam com menos de um terço da capacidade, sobrevivendo graças à solidariedade de visitantes que levam medicamentos e alimentos para funcionários que "mal conseguem chegar ao fim do mês" [Diário do Centro do Mundo]. Paralelamente, a falta de querosene de aviação comprometeu a logística aérea, isolando ainda mais o país.

A sobrevivência mínima da infraestrutura cubana em 2026 repousa sobre a "espinha dorsal estratégica" construída na última década via Iniciativa "Cinturão e Rota" (BRI). Conforme aponta o China Briefing, a parceria com Pequim e Moscou foca na mitigação da asfixia tecnológica.

Projetos como o Mariel Solar (conectado à rede em 2021) e a modernização do Porto de Santiago de Cuba (concluída em 2019 pela CCCC) são agora os ativos mais críticos para a tentativa de Cuba de alcançar 24% de energia renovável até 2030. Embora esses investimentos tenham sido finalizados anos antes da crise atual, eles representam a única barreira técnica contra o apagão total, operando como centros logísticos para o recebimento de ajuda humanitária e insumos biotecnológicos do eixo euroasiático.

O Brasil de 2026 enfrenta pressões contraditórias sobre sua política para a ilha. Segundo a análise de Jamil Chade [ICL Notícias], o governo Lula monitora com alarme o "fluxo migratório descontrolado" que a desestabilização de Havana pode gerar na região.

  • Ação Popular: Enquanto o Itamaraty age com cautela institucional, movimentos sociais intensificam a diplomacia paralela. Durante uma homenagem da escola de samba Acadêmicos do Tatuapé ao MST, foram doadas 2 toneladas de alimentos saudáveis destinados a Cuba, reforçando a campanha "Solidariedade imediata ao povo e ao governo cubano" [ICL Notícias].
  • Perspectiva de Direitos Humanos: O Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) mantém um posicionamento crítico rigoroso. Em nota fundamentada no Art. 4º da Constituição Federal — que estabelece a "prevalência dos direitos humanos" e a "autodeterminação dos povos" como regentes das relações internacionais —, o órgão recorda o histórico isolamento diplomático de quem apoia o cerco. O CNDH destaca que, em votações emblemáticas na ONU, 187 países votaram contra o embargo, enquanto apenas EUA, Israel e o Brasil (sob gestão anterior no governo Bolsonaro ) votaram a favor, classificando o bloqueio como um "instrumento de violação aos direitos humanos".

O colapso energético de 2026 é a manifestação moderna da reativação da "Doutrina Monroe", conforme denunciado em abaixo-assinado por centrais sindicais brasileiras, que veem na asfixia de Cuba um plano de intervenção política e controle regional [ICL Notícias].

Frente ao imperialismo, Havana aposta no que Alberto Dias Mendes descreve como "Revolução Solidária". O legado das Brigadas Médicas Henry Reeve e o conceito de internacionalismo — onde a "Pátria é a Humanidade" — permanecem como o principal capital diplomático da ilha. Para a soberania cubana, a resistência em 2026 não depende apenas da tecnologia chinesa ou do petróleo remanescente, mas da capacidade de transformar essa rede global de solidariedade em um corredor humanitário capaz de romper o bloqueio financeiro e evitar o que analistas já definem como a maior catástrofe humana da história recente da América Latina.

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