Realinhamento, Rupturas e a Nova Aliança JHC-Lessa.

 




Ronaldo Lessa e JHC, juntos novamente




Na madrugada de 23 de abril de 2026, o tabuleiro político de Alagoas sofreu um rearranjo definitivo. O anúncio oficial da retomada da aliança entre o ex-prefeito de Maceió, JHC (PSDB), e o vice-governador Ronaldo Lessa (PDT), selou o destino da oposição estadual para o próximo pleito. Através da frase “Estaremos juntos por toda Alagoas!”, a dupla sinalizou o fim de meses de especulação. O movimento ocorre apenas 19 dias após JHC ter renunciado à prefeitura da capital, em 4 de abril, para viabilizar sua entrada na disputa majoritária estadual.

A oficialização com JHC foi o epílogo de uma reunião tensa ocorrida na noite de 22 de abril entre Ronaldo Lessa e o governador Paulo Dantas (MDB). No encontro, Lessa não buscou diálogo, mas sim comunicar uma decisão irreversível: já havia empenhado sua palavra ao líder do PSDB

A resposta de Paulo Dantas foi o silêncio absoluto. O "revide" veio em menos de 24 horas: o Diário Oficial de 24 de abril de 2026 publicou ao menos 80 exonerações imediatas. O expurgo atingiu assessores técnicos, chefias de gabinete e diretores vinculados a Lessa, desmantelando sua base remanescente no governo e confirmando o isolamento político do vice-governador perante o grupo liderado pelos Calheiros.

A disputa pelo Governo do Estado desenha-se como um confronto direto entre o ministro Renan Filho (MDB) e o ex-prefeito JHC. Enquanto o primeiro se ancora em uma aprovação recorde de 61% como o melhor governador recente do estado, o segundo ostenta a força avassaladora de seus 83% de votos conquistados na capital em 2024.

Os dados das pesquisas mostram cenários distintos, mas revelam um eleitorado ainda volátil:

Instituto

Cenário

JHC

Renan Filho

Indecisos / Outros

Pesquisa Veritá (Março/2026)

Estimulada

39,8%

20,2%

40%

Real Time Big Data (Nov/2025)

Estimulada

45%

48%

7%

Real Time Big Data (Nov/2025)

Spontânea

14%

20%

61%

O dado da pesquisa espontânea é o mais relevante para a análise investigativa: com 61% de indecisos, o vácuo de poder é real. A liderança simbólica de Renan Filho na espontânea reflete a memória administrativa, enquanto o empate técnico na estimulada mostra que o potencial de crescimento de JHC, agora sob a bandeira do PSDB — em articulação que envolveu Aécio Neves e Teotônio Vilela Filho —, é o fator de maior risco para a hegemonia governista.

A viabilidade de Ronaldo Lessa na chapa majoritária de oposição é o ponto neurálgico jurídico da aliança. Há uma interpretação conflitante sobre a necessidade de desincompatibilização:

Tese da Inelegibilidade: O argumento central é que Lessa, como atual vice-governador, deveria ter renunciado ao mandato seis meses antes do pleito (até o início de abril) para disputar o mesmo cargo em uma chapa de oposição, visando impedir o uso da máquina pública.

Tese da Elegibilidade: Sustentada pelo advogado Marcelo Brabo, a tese afirma que Lessa não precisa renunciar para disputar a vice-governadoria ou o Senado, desde que não tenha assumido a titularidade do Governo (mesmo temporariamente). Brabo aponta um "fio de esperança" histórico: Lessa já realizou manobra idêntica no passado, saindo da Vice-Prefeitura de Maceió diretamente para a Vice-Governadoria sem percalços jurídicos.

A disputa pelas duas vagas ao Senado em 2026 é, na verdade, um embate de sobrevivência para os grandes caciques. O cenário apresenta:

  • Renan Calheiros (MDB): Favorito estrutural, com 38% das intenções no primeiro voto.
  • Arthur Lira (PP): Principal aliado de JHC, exercendo controle sobre o orçamento e buscando garantir sua longevidade política no Legislativo.
  • Dra. Eudócia Caldas (PSDB): Mãe de JHC e atual senadora.
  • Alfredo Gaspar (PL) e Davi Davino (Republicanos): Postulantes competitivos que tensionam a chapa de oposição.

Para Ronaldo Lessa, o retorno ao grupo de JHC — de quem já foi vice-prefeito em 2021 antes de romper — tem um custo de imagem elevado. A guinada à direita e a perda de autonomia administrativa o colocam, novamente, em um papel de coadjuvante .

Enquanto isso, Rodrigo Cunha (Podemos), que assumiu a Prefeitura de Maceió em 4 de abril de 2026, consolida-se como um gestor de transição. Sua permanência no cargo é uma necessidade legal, visto que renunciar agora para disputar o Estado seria politicamente inviável. Em 2026, Cunha atuará como o principal cabo eleitoral de JHC na capital, focando em sua própria sobrevivência para 2028, enquanto o estado assiste ao embate mais polarizado de sua história recente.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Rio Largo Terá Novo Sistema de Transporte.

A distribuição de Combustível no Brasil.

Allan Pierre quer integração de transporte coletivo na Região Metropolitana