Alagoas 2026: O Jogo de Cartas Marcadas e a Dança das Cadeiras no Tabuleiro do Poder.

 

Reprodução : JHC, Renan e Lira.


O tabuleiro de xadrez da política alagoana nunca esteve tão frenético, mas engana-se quem vê ali um embate de ideias, o que assistimos é um espetáculo de conveniências onde as peças são movidas sob o signo do pragmatismo mais rasteiro. Em Alagoas, a ideologia é um adereço de vitrine que cede lugar, sem pudor, à manutenção do poder. Renúncias coreografadas, trocas partidárias relâmpago e alianças que fariam Maquiavel corar ,mostram que o roteiro da sucessão já está devidamente redigido nos gabinetes, restando à população apenas o papel de plateia de um jogo de cartas marcadas.

O pacto selado nacionalmente entre Arthur Lira e Jair Bolsonaro engessou a direita alagoana, transformando o PL em um apêndice dos interesses do "Imperador" do Progressistas. O acordo inviabiliza candidaturas ideológicas puras que pudessem turvar o caminho de Lira ao Senado. Nesse cenário, o deputado federal Alfredo Gaspar, agora presidente do PL, assume o que os bastidores chamam de "autonomia com direção".

Enquanto a direita se amarra em pactos de sobrevivência, o MDB de Renan Calheiros e Paulo Dantas opera um rolo compressor que asfixia a oposição. O crescimento da sigla é uma aula de realpolitik: prefeitos que ontem juravam lealdade ao PP de Lira, hoje ostentam a bandeira emedebista.

O governador Paulo Dantas, em um movimento calculado, abriu mão de sua própria candidatura ao Senado para atuar como o maestro da sucessão, focando na reeleição de Renan Filho ao governo. O resultado na Assembleia Legislativa (ALE) é uma hegemonia que beira o absolutismo.

Nada simboliza melhor a falta de bússola ideológica do que o rompimento entre Gilberto Gonçalves (GG) e Arthur Lira. O ex-prefeito de Rio Largo protagonizou um dos episódios mais bizarros da história recente: a tentativa de "filiação relâmpago" de quatro horas ao PT. Ver um aliado histórico da direita bolsonarista tentar o abrigo de Lula por puro desespero eleitoral é a prova definitiva de que, em Alagoas, os princípios não sobrevivem a uma tarde de chuva.

Após a anulação nacional das fichas petistas, GG e sua filha, a deputada Gabi Gonçalves, desembarcaram no MDB. A resposta de Lira foi um antídoto caseiro: o lançamento da primeira-dama Anne Kelly como adversária direta do grupo de GG em seu reduto, aprofundando uma guerra paroquial que agora ganha contornos de vendetta política.

Na capital, o cenário é de terra arrasada após a renúncia de JHC, que entregou as chaves da prefeitura a Rodrigo Cunha para tentar a sorte na corrida estadual. Migrando para um PSDB desidratado após perder o controle do PL para o grupo de Gaspar e Lira, JHC enfrenta agora uma ofensiva jurídica pesada ; O PL acusa o grupo de JHC de "fraude em filiações", alegando que parlamentares foram migrados para o PSDB sem consentimento. 

O projeto político de Arthur Lira enfrenta sua maior crise de confiança. Acusado de centralismo, o deputado parece priorizar um projeto de poder hereditário em detrimento de seus aliados de primeira hora. A tentativa de transformar lideranças regionais em "candidatos-escada" para eleger seu filho, Álvaro Lira , gerou um sentimento de traição que corrói sua base.

Famílias tradicionais sentiram o golpe da preterição. Com a sombra de sua influência em Brasília diminuindo e acordos sendo rompidos sistematicamente, o "reinado" de Lira dá sinais de que a fatura do patrimonialismo chegou para ser cobrada.

Enquanto os donos do poder trocam de partido como quem troca de camisa, buscando segundos de TV ou o controle de emendas vultuosas, o eleitor alagoano assiste ao espetáculo do lado de fora do Palácio. É um jogo de "cartas marcadas" onde os nomes mudam para que as estruturas permaneçam as mesmas. A imprevisibilidade de 2026 é uma ilusão; em Alagoas, o roteiro é antigo, o teatro é caro e o público é o único que nunca conhece o sabor da vitória. O jogo segue, e as peças de sacrifício já foram escolhidas.

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